Ao contrário do resto do país, número de autônomos cresceu de 11% em 2000 para 25% no ano passado
25/03/2009 | 00:16 | Mariana Sanchez
Grito de independência ou alternativa à alta competitividade do mercado de trabalho? São muitos os motivos que estão fazendo os moradores da Grande Curitiba migrarem para o mercado em que a carteira assinada não é a realidade, na contramão da tendência brasileira. Os dados da pesquisa da Gazeta do Povo mostram que 26% são funcionários de empresas, regidos pela Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) e 26% são autônomos – trabalham por conta própria, mas não têm empresa. Só em Curitiba, pelo levantamento, o número de autônomos cresceu de 11% em 2000 para 25% no ano passado. Em contrapartida, no Brasil, segundos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre 2002 e 2008, houve uma diminuição de quase dois pontos porcentuais dos trabalhadores autônomos.
Para o professor de Sociologia da PUCPR, Lindomar Wessler Oneti, isso se explica pela nova configuração mundial da produção. “As grandes empresas estão preferindo terceirizar seus serviços, o que reduz o trabalho assalariado em relação ao trabalho autônomo”. Outra explicação , segundo o professor de Economia da UFPR, Luciano Nakabashi, está no aquecimento do mercado local. “Quando a economia começa a crescer, muitas pessoas que estavam fora do mercado veem a oportunidade de se inserir e isso geralmente se dá de maneira informal. Por outro lado, há aqueles que já estão na ativa mas querem complementar a renda com um trabalho temporário, de forma autônoma.”
Em levantamento da Junta Comercial do Paraná, o estado teve no ano passado mais de 50 mil novas micro e pequenas empresas abertas. Hoje, são 450 mil empresas formais e 565 mil informais. Em levantamento recente do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), a taxa de sucesso destas empresas no Paraná já é de 74,8%, situação que favorece os 59% dos moradores da Grande Curitiba que revelaram à pesquisa da Gazeta o desejo de ter seu próprio negócio – quase metade deles até o próximo ano. “Mesmo com todas as condições desfavoráveis, como altas taxas de juros, burocracias e infraestrutura precária, abrir o próprio negócio ainda é o sonho de todo trabalhador”, revela o economista Judas Tadeu Grassi Mendes, professor do Estação Business School.
Dados da pesquisa apontam também que mais da metade dos moradores da Grande Curitiba trabalha além das oito horas diárias definidas constitucionalmente. Destes, 23% chegam a trabalhar mais de 48 horas semanais. Para Mendes, isso é reflexo do aumento do número de autônomos. “Quem trabalha por conta não tem horário fixo, o que significa muitas vezes trabalhar além da jornada de oito horas.”
Batalhadoras e independentes - 25/03/2009 | 00:16
“Trabalho com carteira assinada há 22 anos. Já fui autônoma e até ganhava mais naquela época, mas hoje tenho mais segurança. Se eu fosse demitida, sei que na minha idade seria complicado conseguir outro emprego, mas eu teria direito a cinco meses de seguro-desemprego e acesso ao fundo de garantia, o que ajudaria a me reestruturar financeiramente. Essa segurança não tem preço. Não vejo nenhuma desvantagem em trabalhar registrada.” Leanoura Moras Oliveira, 47 anos, iniciou na empresa como recepcionista e hoje é encarregada financeira
Você pode não ter percebido, mas nos últimos oito anos Curitiba foi palco de uma revolução silenciosa, iniciada nos lares onde mulheres costumavam se definir como donas de casa. Se na pesquisa realizada pela Gazeta em 2000, 18% da população feminina se encaixava nessa definição, hoje elas são apenas 8%. Na maioria acima dos 50 anos, essas mulheres tornaram-se uma espécie de “autônomas do lar”, exercendo dentro de casa as mais diversas atividades, entre elas a venda de produtos por conta própria e a prestação de serviços.
Segundo Yára Bulgacov, psicóloga social e professora da Universidade Positivo, essa queda reflete a profissionalização feminina que mais tem crescido no âmbito do trabalho autônomo informal. “O autoemprego é uma alternativa para a geração de renda das mulheres. Trabalhando dessa forma elas conseguem organizar melhor seus horários sem se ausentar das responsabilidades domésticas nem causar conflitos entre sua vida familiar e profissional.”
Para a ex-dona de casa e hoje bem-sucedida empresária Betty Queiroz, 59 anos, a palavra Zoe, do grego, vida, significa mudança, renovação. Após o divórcio, há 12 anos, não tinha ânimo para realizar outra ocupação. Mas, por orientação médica e incentivo dos filhos, decidiu ir à luta e assumiu um empreendimento da família, a marca Zoe joias alternativas. Para ela, que entrou no mercado aos 54 anos, quando a maioria das pessoas está pensando em se aposentar, a atividade profissional deu maior independência.






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