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terça-feira, 5 de maio de 2009

ES1/MF - A crise vista de perto, diretamente do front

No Blog da HSM Management (link direto aqui) o colunista Julio Sergio, que também é consultor, narra como está a vida na "big Apple" e, pela percepção dele, bastante contundente por sinal, os EUA realmente sentiram o golpe. A maior nação consumista do mundo parece estar à deriva, à espera de algum vento favorável que mude o rumo desta grande nau. Nova  Iorque está de "ponta cabeça"!

Boa leitura!

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Nova York de ponta cabeça - CriseSem sombra de dúvidas, Nova Iorque não será a mesma depois dessa crise devastadora. Estive na minha segunda cidade favorita semana passada, munido de olhos sagazes de auditor, e confesso que fiquei estarrecido com o que encontrei. Grandes lojas fechadas, restaurantes de luxo vazios, vendedores fisgando compradores nas calçadas, bancos caçando clientes na rua. Este é o triste cenário que me deparei assim que comecei a percorrer suas principais avenidas. A primeira decepção que tive foi quando cheguei à Virgin Megastore na Times Square, ansioso em busca de uma coleção rara de DVDs dos Beatles e encontrei a seguinte placa: “Closed”.

Bastante frustrado, continuei a caminhar até chegar a Sephora, uma das maiores lojas de perfumaria. Ao entrar, fui atrás do Chanel n°5, “eau de toilette”, e logo me informaram que o perfume mais famoso do mundo deixara de ser vendido ali. Rodei por várias outras lojas, sempre com a mesma resposta. Já estava me conformando que não o encontraria – vejam só, em plena Nova Iorque! - até que finalmente consegui achá-lo na Sak´s 5th Avenue. E mesmo assim, o vendedor foi logo me avisando que ele iria desaparecer do mercado americano.

Exausto de tanto andar, me dirigi a um dos mais requintados restaurantes da região em que se gasta, no mínimo, US$ 50 por pessoa (sem bebida), a Osteria  Al Doge, que fica na Rua 45. Faminto depois da minha tortuosa saga, nem reparei ao entrar que eu era uma das três pessoas ali presentes. Mas assim que me dei conta de que não havia ninguém mais, percebi que de fato algo havia mudado. Antes da crise, o local no horário do almoço tinha uma enorme fila de espera de mais de uma hora para se conseguir uma mesa.

Surpreso diante do que assisti, caiu a ficha de que aquela metrópole fervilhante de outrora estava perdendo seu brilho e glamour característicos. Não precisei de muito para enxergar no semblante dos americanos cabisbaixos, um ar de tristeza, desolação, desânimo, melancolia. Cena que me levou a abordar alguns deles para tentar entender o que estava acontecendo – não podia acreditar que aquilo tudo era reflexo de um tsunami que considero passageiro. Mas para minha perplexidade, nenhum deles deixou de falar de sua preocupação com o efeito destruidor da crise. O curioso é que a maioria não esperava que a crise acontecesse de forma tão repentina e abrupta, como um terremoto.

Em compensação, vi as ruas cheias de turistas alegres e saltitantes.  E um restaurante brasileiro, localizado na Rua 46, que não sabe o que é crise. Atrai público de todas as nacionalidades pela saborosa cozinha exótica que oferece a preços que cabem no bolso de qualquer pessoa da classe média. O momento atual, aliás, está revirando de cabeça para baixo os hábitos da classe média americana que, em meio a uma queda no padrão de vida, tem tido comportamentos bem atípicos. Um episódio que presenciei, reflete bem o que quero dizer. Ao passar pela DSW Shoes, uma loja de sapatos e bolsas de marca, descartadas pelas grandes lojas de departamento quando o estoque não gira na velocidade desejada, encontrei uma multidão de clientes desesperados pelas peças em promoção.

Estava tão abarrotada de gente que lembrou aquela cena do filme “Um Herói de Brinquedo”, em que o personagem do ator Arnold Schwarzenegger tenta comprar o mais cobiçado brinquedo do mundo, o Turboman. Detalhe: tradicionalmente, a loja que sempre foi reduto de turistas latinos, hoje se transformou na opção de consumo dos americanos. A crise fez a classe média dos EUA abandonar as compras em lojas de grife – como Bloomingdale, Sak’s - e invadir as famosas lojas de descontos – Century 21, Filenes’s, Burlington Coat Factory, por exemplo. Ao contrário do que se via no passado, as vendas nas lojas de luxo desabaram, levando seus gerentes – conhecidos por se esconderem atrás do balcão com aquele ar de superioridade – irem para a porta bem vestidos e sorridentes para todos que passam a sua frente.

Mas interessante mesmo foi ver os bancos caçando clientes na rua, a exemplo do Chase (que ironicamente significa caçar, perseguir). Na calçada em frente à agência da Sexta Avenida foi colocada uma mesa de 1,80 metro de comprimento, coberta com uma toalha branca, com brindes para quem abrisse uma conta. Abordagem bastante inusitada, ainda mais quando você é assediado sem qualquer pudor por um funcionário sorridente, de camisa branca, gravata e mangas arregaçadas. Prova viva de que estão literalmente pegando clientes pelo laço. No entanto, sabem o que mais me incomodou? Ao partir feliz rumo a minha loja favorita de pipoca, a Indiana Popcorn, bati com a cara na porta. Juro que não acreditei. Como poderia fechar aquela loja que eu tanto adorava, que após sair de reuniões exaustivas de trabalho, me desestressava com aquele delicioso pacotinho de “kettle corn” (pipoca meio doce, meio salgada. Hummm!). Maldita crise que acabou com a minha casa de pipoca predileta!

E como está a crise para os brasileiros? Avião lotado na ida e na volta, na primeira classe e nas classes executiva e econômica. Ah, a boa novidade são as aeromoças americanas, agora bastante simpáticas e gentis. Viva a crise!

Não percam o blog da próxima semana em que falarei sobre minha percepção em relação aos desdobramentos da crise. Imperdível! O blog, não a crise.

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